Houve um pouco de tudo. Música, poesia, vídeo, discursos, homenagens, brindes e até uma surpresa na manga: à saída do pavilhão Dragão Caixa, os convidados puderam testemunhar, pela primeira vez, uma escultura plantada no exterior do recinto que simboliza a força e o movimento do clube. Tudo para assinalar, com pompa e circunstância, a estreia da novo equipamento mas também o 27.º aniversário da tomada de posse de Jorge Nuno Pinto da Costa.
A noite era das modalidades (que, depois do pavilhão Américo de Sá, voltam a ter um porto de abrigo), é um facto, mas era primeiro de Pinto da Costa. E também por isso o discurso do presidente do FC Porto era aguardado com expectativa.
O dirigente subiu ao palco já perto do final da cerimónia, cerca das 23h30, para agradecer a presença do bispo do Porto e de Laurentino Dias, secretário de Estado de Desporto, na “casa de campeões” que pretende que venha a ser o Dragão Caixa. Numa declaração curta, Pinto da Costa fez uma paragem breve no passado - “Quando, há 27 anos, tomei posse, o momento era de grandes dificuldades, mas eu tinha a certeza de que, contra ventos e marés, havíamos de cumprir o mandato de dois anos até ao fim” - para depois manter acesa a perspectiva da continuidade à frente dos destinos do clube: “Continuarei a lutar para o que o FC Porto seja cada vez mais respeitado, mais admirado”.
Pelo meio, e num registo mais acutilante, deixou uma promessa em género de recado, com uma referência implícita ao processo "Apito Dourado": “A todos, deixo-vos um sinal de que não me deixo abater nem tenho medo, de que podeis estar tranquilos, que mesmo nos tempos actuais, eu não tenho medo. Mesmo no país em que estamos, em que figuras como o Procurador-geral da República afirma publicamente que não sabe se tem o telefone sob escuta, mesmo nestes momentos podem contar comigo porque eu não tenho medo”.
Despedir-se-ia pouco depois com um excerto do poema "Aleluia", de Pedro Homem de Mello, a que Miguel Guedes (vocalista dos Blind Zero) já tinha dado voz no início da cerimónia.
O fim de uma longa espera
Para trás já tinham ficado as palavras de satisfação dos futuros inquilinos do Dragão Caixa. O que equivale a dizer: o optimismo de Carlos Resende (treinador da equipa de andebol) – “Com bom público aqui, o jogo não começará sempre 0-0” -, o contentamento de Filipe Santos (capitão da equipa de hóquei em patins) – “Esperámos muitos anos por este pavilhão, espero que seja uma casa com muitos êxitos” – e a ansiedade de Nuno Marçal (capitão da equipa de basquetebol) - “Há bastantes anos que esperamos por este projecto. E podemos utilizar o recinto já neste final de época”.
Embora o palco de Pedro Emanuel seja outro, o defesa central do FC Porto também se regozijou com a inauguração do recinto. “Este é um sonho antigo do nosso presidente que nesta altura comemora mais uma passagem da tomada de posse [27.º aniversário] com a inauguração de um espaço moderno, funcional. As modalidades amadoras, que bem merecem, vão voltar a estar concentradas junto ao Estádio do Dragão, que é o que todos os portistas desejam”, resumiu, citado pela agência Lusa.
Fonte: PUBLICO.PT